6 coisas que eu gostaria que meus pacientes deixassem de crer sobre a diabetes tipo 2

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A comunidade científica considera-se hoje em dia a diabetes como uma epidemia. É consequência, principalmente, do estilo de vida “moderno”, caracterizado por uma dieta inadequada e o sedentarismo, graças ao qual se produziu um aumento alarmante da obesidade.

Indicador do nível de açúcar e diversas legumes

Em 2004, estima-se que em Portugal havia 1,5 milhões de pessoas diagnosticadas como diabéticos e até um milhão sem diagnosticar, com um total estimado de 2,5 milhões de doentes; igualmente, se pensava que seria quase 4 milhões para o ano de 2025.

A realidade é muito pior do que os mais pessimistas que avançavam. O estudo estudo di@bet.es de 2015, o maior realizado em nosso país, a dia de hoje (2017) mostra que o 13,8% dos espanhóis maiores de 18 anos têm diabetes tipo 2, o que equivale a mais de 5,3 milhões de pessoas. Deles, quase 3 milhões já estão diagnosticados, mas 2,3 milhões, ou seja, 43% do total, desconhecem que sofrem da doença. Os números são apabullantes.

Com tudo, a diabetes tipo 2 é uma grande desconhecida, e há muitas crenças errôneas, quando não desconhecimento, sobre ela. Mostramos a seguir algumas delas que são vistos com frequência nas consultas.

1. O tipo 2 é a diabetes “leve”

Isto é completamente falso. Tanto a diabetes tipo 1 como o tipo 2 são doenças muito sérias. Ambas impedem que o corpo processe adequadamente o açúcar e, independentemente de como surgem, as duas podem causar doenças muito graves e até mesmo reduzir a expectativa de vida.

A diabetes tipo 2, o que implica um risco claro de desenvolver outras doenças, como a doença cardíaca e o acidente cérebro-vascular (ou avc), que causam milhares de mortes anuais em Portugal.

2. A diabetes afeta apenas o açúcar no sangue

É verdade que a diabetes afeta o controle do açúcar no sangue (glicose no sangue, ou glicemia), mas tem muito mais consequências do que o açúcar no sangue. Pode causar danos irreversíveis na visão (retinopatia diabética), nos rins (nefropatia diabética) ou nas terminações nervosas (neuropatia diabética), que pode provocar a perda de inervação nas pontas, o que, em última instância, requer a amputação. A afectação de pequenos vasos sanguíneos do corpo também pode causar problemas de disfunção erétil e da demência por falta de irrigação.

Em 2017, a diabetes compartilha com as maculopatías a principal causa de cegueira em Portugal. Receia-Se que em um futuro próximo passe a ser a primeira causa.

3. Só se apresenta em homens gordos

Não é bem assim. É verdade que há maior prevalência em pessoas que têm excesso de peso, mas há fatores muito importantes que intervêm. Fundamentalmente, os antecedentes familiares, a etnia e a idade: ter mais de 45 anos. Também é crucial o estilo de vida sedentário ou, no caso das mulheres, se sofrem de diabetes durante a gravidez. Todos eles são fatores de risco que devem ser conhecidos.

5. Só se apresenta em muito gulosos: os que abusam dos doces

Nem isso é verdade. Existem fatores, como vimos, que influenciam, em grande medida, no desenvolvimento da doença: o sedentarismo, o excesso de peso ou a obesidade, antecedentes familiares… Não só o abuso dos doces, devido à sua aparência.

6. A diabetes tipo 2 é controlada com a dieta

Sim, em alguma medida. Mas isso leva a um sério perigo e que tende a esquecer a gravidade da doença. Nas fases iniciais da diabetes tipo 2, pode ser tratado bem, e até mesmo revertê-lo, controlando a dieta. Se evitamos, fundamentalmente, o açúcar e os carboidratos de absorção rápida, o transtorno pode manter-se bem a raia. Mas isso requer um controle realmente exaustivo, o que exige educação, motivação e uma grande força de vontade. A maioria dos diabéticos de tipo 2, o que acaba precisando de medicamentos: não nos referimos à insulina, mas a medicamentos por via oral (comprimidos) que controlam o açúcar no sangue e que, como todos os medicamentos têm efeitos colaterais.

Contudo, à medida que avança a doença, muitos pacientes acabam por precisar de injeções de insulina.

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