Os 7 perigos das dietas ‘desintoxicação’ ou por que você deve evitá-las

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Com o fim do verão e o início do novo curso começa o bombardeio de mensagens publicitárias que nos incentivam a pensar que é necessário depurar o nosso organismo após os excessos das férias, e através de uma dieta desintoxicante ou ‘detox’, quando precisamente isso está mais do que contra-indicado, por diversas razões, que, em seguida, iremos detalhar.


De fato, durante os últimos anos, têm proliferado de uma série de propostas de tratamento dietético da obesidade e outros procedimentos, de eficácia não comprovada, como é o caso das dietas ‘detox’.


Apesar dos esforços de pesquisadores, sociedades científicas e organismos oficiais, este tipo de dietas e procedimentos continuam sendo usados por muitas pessoas como um método de emagrecimento, e chegam a constituir um verdadeiro problema de saúde pública. Por isso, fomentar a educação para uma alimentação e hábitos de vida saudável na população é uma responsabilidade de todos.


Neste sentido, em uma entrevista com Infosalus, a dr.ª Maria José Tapia Guerreiro, da Sociedade brasileira de Endocrinologia e Nutrição (SEEN), explica que um padrão de dieta ‘desintoxicação’ consiste em “uma intervenção de duração variável em que a alimentação se baseia fundamentalmente em preparados de frutas e vegetais, e é geralmente suplementar com produtos comerciais que fornecem diversos nutrientes antioxidantes e outros), com a suposta finalidade de promover a desintoxicação de substâncias pelo organismo, ao mesmo tempo em que se restringem alguns alimentos, como as carnes, laticínios, ovos e peixes, entre outros”.


Segundo indica a especialista, essas diretrizes fornecem poucas calorias, por isso são utilizados também para favorecer a perda de peso. “É indubitável que fazer uma dieta equilibrada, rica em alimentos de origem vegetal, é benéfica para a saúde. No entanto,oefeito benéfico das diretrizes ‘desintoxicação’ não foi comprovado cientificamente”, adverte.


Assim, aponta que existem poucos estudos que tenham avaliado em humanos, a eficácia dessas diretrizes detoxificantes e, em geral, a qualidade metodológica acredita que não é a mais adequada, já que a maior parte dos estudos foram realizados em animais, com diretrizes e doses variadas.


“Por isso, estes resultados não podem extrapolar os seres humanos. Uma revisão sistemática publicada na revista da Associação Britânica de Dieta, conclui-se que não há evidência científica que apoie a utilização de dietas ‘détox’ para favorecer a eliminação de toxinas e / ou manutenção do peso“, argumenta a endocrinóloga.


Outra das razões que afirma o membro da SEEN é que as dietas ‘desintoxicação’ não são necessárias, já que depura o organismo de forma natural os agentes tóxicos através do fígado. Segundo ele insiste, a palavra ‘détox’ é uma designação publicitária “muito atraente, mas com pouca base científica”.


De fato, o médico especialista em Endocrinologia e Nutrição do Hospital Regional Universitário de Málaga afirma que é que o metabolismo de um corpo saudável o que cumpre a função de eliminação de toxinas, através, principalmente, do fígado, dos rins, ou da pele, por exemplo.


“Podemos definir o metabolismo como o conjunto de todas as reações químicas que ocorrem no nosso corpo. Parte delas, particularmente no fígado, têm a missão de inativar ou bloquear substâncias que podem ser nocivas, eliminando-se, depois, a urina ou bile. Nesse sentido, nosso corpo tem uma capacidade muito alta de manter o equilíbrio vital (o que chamamos de ‘sensibilidade’), maior quanto mais saudáveis estejamos e, para isso, é indiscutível que uma alimentação saudável é uma grande ajuda”, argumenta a especialista da SEEN.


Sobre a intoxicação que podemos receber através de nosso ambiente, a especialista da área de Nutrição da SEEN argumenta que os seres humanos estamos expostos a uma infinidade de substâncias químicas e de moléculas, contidas na natureza ou produzidos de forma industrial, se bem argumenta que “no momento atual, não há dados que apóiem um efeito tóxico ou prejudicial para a saúde destas substâncias presentes no ambiente ou nos alimentos”.


Com tudo isso, a especialista lista os que, em sua opinião, são os principais perigos e problemas que podem gerar as dietas desintoxicantes, já que, segundo garante, “este tipo de dieta não são isentas de efeitos colaterais”:


1.- Perda de massa muscular: “As dietas ‘desintoxicação’ seguem padrões muito variadas, mas em geral são pobres em proteínas. Uma dieta hipocalórica deve fornecer uma quantidade suficiente de proteínas para prevenir a perda de massa muscular e outros problemas”.


2.- Favorecem o ‘efeito rebote’ ou ‘yo-yo’, já que o alerta de que ao abandonar essas dietas, as pessoas que ainda não aprenderam a comer de forma saudável e voltam aos costumes que lhes fizeram engordar.


3.- Deficiência de vitaminas e minerais por falta de consumo com os alimentos. “Além disso, as proteínas podem ser deficientes em outros nutrientes, como zinco e cálcio, entre outros. As pessoas mais velhas, em idade de crescimento, ou com alguma patologia, podem ser especialmente sensíveis a essas deficiências”, conforme alerta a doutora Tapia.


4.- Risco de cálculos renais. “O abuso de batidos verdes pode aumentar o risco de ‘pedras no rim’ pelo excesso de conteúdo em ácido oxálico de alguns vegetais, como espinafre, habituais neste tipo de bebidas”, afirma.


5.- Regulação insuficiente destas dietas e os produtos que usam, o que implica uma falta de segurança.


6.- Consumir antioxidantes artificiais (vitaminas c e e, coenzima q, entre outras) e a longo prazo pode ser prejudicial para a saúde, pelo que não se recomenda. “Diferente é consumir alimentos que fornecem esses antioxidantes de forma natural através dos vegetais ou frutas, por exemplo”, acrescenta. Segundo argumenta, os estudos clínicos em humanos sobre o papel da suplementação da dieta com antioxidantes são confusos e, por vezes, contraditórios. O consumo de antioxidantes, a longo prazo, não demonstrou nenhum benefício sobre o cancro ou as doenças cardiovasculares e, em algumas ocasiões podem ser potencialmente perigosos e por isso que não existem provas aceitável para a lei islâmica para recomendar o uso de suplementos com antioxidantes, além dos presentes nos alimentos dentro de uma dieta saudável.


7.- Desenvolvimento de perturbações do comportamento alimentar. “As dietas muito restritivas, de baixas calorias, foram associados ao desenvolvimento de distúrbios do comportamento alimentar (anorexia e bulimia), às vezes de maior gravidade que o excesso de peso que se pretende corrigir”, afirma a especialista da área de Nutrição da SEEN.

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